10 famosos escritores brasileiros e suas principais obras

10 famosos escritores brasileiros e suas principais obras
 

Apesar da retração do mercado editorial, o número de leitores vem aumentando no Brasil. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura, 104,7 milhões de brasileiros (ou 56% da população acima dos cinco anos de idade) leram pelo menos partes de um livro, entre fevereiro e março de 2015. Outra constatação importante foi que o brasileiro lê ao menos cinco livros por ano.

Escrito pelo poeta português Tomás Antônio Gonzaga, o primeiro livro publicado no Brasil foi “Marília de Dirceu”, em 1812. Muitos de nossos autores são consagrados mundialmente – Paulo Coelho é o mais traduzido – e suas obras foram adaptadas diversas vezes para o cinema, peças de teatro, séries e novelas na TV.

Nossa história, nossa sociedade, nossa cultura. Os autores a seguir não apenas retrataram, mas também ajudaram a construir o Brasil que conhecemos hoje.

Ah, deixamos links para download dos livros de domínio público. Vale lembrar o que dissemos aqui no Blog de Livros, baixar livros piratas não é legal.

1. Machado de Assis

Menino mulato nascido no Brasil escravocrata de 1839, em um morro do Rio de Janeiro. Filho de família pobre, órfão de mãe muito cedo, com pouco estudo em escolas públicas e nenhuma chance de cursar a universidade. Praticamente autodidata, demonstrou impressionantes habilidades intelectuais na adolescência e aos 21 anos era presença marcante entre as rodas do jet set carioca. Contra todas as adversidades tornou-se o maior autor da literatura brasileira, segundo críticos, leitores e outros escritores.

Aos 14 anos, Machado de Assis publicou em um periódico o seu primeiro trabalho literário, o soneto “À Ilma. Sra. D.P.J.A.”. Em 1856, entrou para a Imprensa Nacional como aprendiz de tipógrafo, em 1858 era revisor e colaborador no Correio Mercantil e, em 1860, integrou a redação do Diário do Rio de Janeiro. Também foi membro da Academia Brasileira de Letras e assumiu diversos cargos públicos, passando pelo Ministério da Agricultura, do Comércio e das Obras Públicas.

O primeiro livro publicado foi “Queda que as mulheres têm para os tolos”, em 1861. Daí pra frente, até sua morte aos 69 anos em 1908, deixou uma extensa obra de variedade incrível: nove romances e peças teatrais, duzentos contos, cinco coletâneas de poemas e sonetos, e mais de seiscentas crônicas. É considerado o introdutor do Realismo no Brasil, com a publicação de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, em 1881. Sem dúvida, Dom Casmurro (1889) é um dos 10 livros brasileiros de romance que marcaram época.

Helena

Helena é filha da amante de Conselheiro Vale, homem rico e mulherengo. Mas antes de morrer ele deixa um testamento afirmando que ela é sua filha legítima e que, além de ficar com parte de sua fortuna, ela deveria ser aceita na família. A jovem protagonista se aproveita da situação porque queria subir na vida e se muda para a mansão onde moram Dona Úrsula, a irmã, e Estácio, o filho do falecido. Aos poucos a filha bastarda conquista a todos na casa com sua simpatia e carinho. Dr. Camargo, amigo do Conselheiro, não aceita Helena porque sua filha Eugênia, noiva de Estácio, ficaria com uma parte menor da herança. Úrsula morre e Helena assume as funções de dona de casa e também uma posição de destaque na sociedade, pois é equilibrada, sensível e rica. Tanto ela encantou Estácio que ele por ela se apaixona e se afasta da noiva. Apaixonar-se pela irmã é pecado proibido. Isso na cabeça de Estácio. Na de Helena, o medo de revelar a verdade e perder o dinheiro. A “meia-irmã” tinha o costume de ir a uma chácara da família. Um dia ela é seguida por Estácio, que espera ela ir embora e bate à porta para saber quem era o morador. Salvador atende e conta a verdadeira história de Helena, ela é sua filha, mas Conselheiro Vale considerava como se fosse sua. Estácio resolve mantê-la como herdeira dos bens e vê o caminho aberto para conquista-la. No entanto, depois de tomar uma forte chuva, Helena adoece gravemente. À beira da morte ela ouve a declaração de Estácio. A bela despedida de um amor, infelizmente, não concretizado. Download aqui.

O Alienista

Alguns críticos e estudiosos literários o descrevem como uma novela. Para outros é um conto mais longo. Fato é que esse livro lançado em 1882 é um marco no Realismo brasileiro nos presenteando com uma história cheia de ironia em torno dos pensamentos e hábitos da sociedade. Notório estudioso da mente humana, o médico Simão Bacamarte decide construir a ‘Casa verde’, um hospício para tratar os doentes mentais na pequena cidade de Itaguaí.
O que é loucura e o que é sanidade? Machado conclui que tudo é relativo e a normalidade nem sempre é aquilo que a ciência e os fatos atestam de forma absoluta. A trama de “O Alienista” aborda assuntos polêmicos e critica a visão dos detentores do poder. Download aqui.

Quincas Borba

Ícone do Realismo literário brasileiro, publicado em 1891. Rubião, um caipira ingênuo, herda a fortuna do filósofo Quincas Borba, personagem previamente descrito em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Para manter a herança, ele precisa cuidar do cachorro de Quincas.
Rico, Rubião sai do interior para morar na corte imperial, no Rio de Janeiro. No trem ele conhece o casal Cristiano e Sofia Palha que, percebendo sua ingenuidade, planejam tomar todo o seu dinheiro. Download aqui.

Leia também
Romances: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Helena, Esaú e Jacó, Memorial de Aires.
Coletâneas de Poesias: Crisálidas, Americanas, Ocidentais.
Coletâneas de Contos: Contos Fluminenses, Histórias da Meia-Noite, Relíquias da Casa Velha.

2. Carlos Drummond de Andrade

Reconhecido internacionalmente como um dos maiores poetas do século XX, pertencente à segunda geração do Modernismo brasileiro. Mineiro, nascido em 1902, Carlos Drummond de Andrade estudou em colégios internos na adolescência e trabalhou muitos anos como funcionário público. Em 1921 começou a publicar artigos no jornal Diário de Minas e poesias em revistas, a mais marcante de todas sem dúvida é “No Meio do Caminho”, em 1928. “No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho”, com certeza você conhece essa famosa estrofe. “Alguma poesia” é seu primeiro livro de poesias, publicado em 1930. “Confissões de Minas”, publicado em 1942, o primeiro livro de prosa.

Rapidamente seus textos chegaram à Europa onde o poema “Sentimental” foi declamado em um seminário da tradicionalíssima Universidade de Coimbra. O estilo poético de Drummond aborda cenas do cotidiano com liberdade linguística, verso e métricas livres e uma boa dose de ironia aliada ao contraponto entre pessimismo e bom humor. Várias de suas obras foram traduzidas para diversos idiomas e foi tradutor de autores célebres como Balzac, Federico Garcia Lorca e Molière.

Carlos Drummond de Andrade continuou escrevendo até a sua morte aos 85 anos, em 1987. Quatro meses antes, sua obra virou enredo da escola de samba Mangueira, que foi campeã daquele ano.

A Rosa do Povo

É considerada por inúmeros críticos literários a melhor obra do autor e um dos três mais importantes livros da Língua Portuguesa. Publicado em 1945, reúne 55 poemas dos nove principais temas abordados por Drummond, por exemplo, o indivíduo e sua relação com a cidade natal e a família, a relação com os amigos e a sociedade, e os relacionamentos amorosos. Em sua maioria foram escritos entre os últimos anos da década de 1930 e os primeiros da seguinte. O mundo vivia um clima tenso com a ameaça do nazismo e a iminente Segunda Guerra Mundial (1945-1949) e no Brasil, a ditadura de Getúlio Vargas oprimia a população. Os versos de “A Rosa e do Povo” trazem toda a preocupação de Carlos Drummond de Andrade com a liberdade de cada indivíduo.

Boca de Luar

Livro póstumo que reúne textos publicados no Jornal do Brasil. São crônicas e algumas histórias fictícias cheias de energia, humor, criatividade e o interesse pelo bem comum, criadas a partir da leitura de notícias e da observação do cotidiano no Rio de Janeiro. Drummond também conta algumas de suas memórias (em “Milho Cozido”, “Coisas Lembradas” e “Participação de Casamento”) e faz críticas a sociedade do espetáculo (em “Tem Cada uma na Vida” e “Arte e Casamento”).

Contos Plausíveis

A primeira impressão é que são histórias sem pé nem cabeça. Mas, por mais surreais que os 150 contos pareçam, há sempre um pé na realidade. Todos ocupam menos de uma página acompanhados de uma ilustração, que não se refere ao conto da mesma página. Então o leitor é desafiado a descobrir a correspondência entre imagens e textos. De acordo com o prefácio do autor, “Parece que na vida também é assim: as pessoas e coisas nem sempre andam de par constante”.

Leia também
Poesias: José, Novos Poemas, Amar se Aprende Amando, A Vida Passada a Limpo.
Crônicas: Cadeira de Balanço, A Bolsa e Vida, O Poder Ultrajovem.
Prosa: Confissões de Minas, Contos de Aprendiz, O Observador no Escritório.

3. Clarice Lispector

Ucraniana, nascida em 1920, filha de família judaica. Com um ano de idade fugiu junto com os pais de uma guerra civil e veio morar no Brasil. Passou a infância no Recife e aos 12 anos ficou órfã de mãe. Mudou-se para o Rio de Janeiro onde fez faculdade de Direito e escreveu para jornais e revistas locais. Com 23 anos publicou seu primeiro romance, Perto do Coração Selvagem, em 1943. Casou-se com um diplomata em 1944 quando se naturalizou brasileira. Em 1946 mudou-se com o marido para a Suíça onde, sufocada pelo ambiente chato demais para ela, entrou em depressão. Teve um filho em 1948 e no ano seguinte voltou ao Brasil. Outra mudança em 1952, dessa vez para os Estados Unidos onde permaneceu por sete anos. De volta ao Brasil em 1959, enfrentou dificuldades financeiras e depois de muito esforço conseguiu um editor para publicar o livro Laços de Família, considerado um ícone da ficção brasileira. Em 1964 publicou outra grande obra, “A Paixão segundo G.H.” Novamente afetada pela depressão, em 1966 teve uma queimadura grave porque, após tomar um remédio para dormir, desmaiou com um cigarro aceso no braço. Em 1977 publicou seu último romance, A Hora da Estrela. Nesse mesmo ano morreu de câncer no ovário aos 56 anos.

Clarice Lispector é uma das principais influências da nova geração de escritores brasileiros. Sempre foi mística, supersticiosa, curiosa a respeito do sobrenatural. Em sua obra composta de romances, novelas, contos e crônicas, o enredo tem papel secundário. Seu estilo é marcado pelo retrato profundo da mente das personagens nos mais complexos mecanismos psicológicos. As ações ilustram a personalidade das personagens e são comuns as histórias sem começo, meio ou fim. Mais que histórias, seus livros apresentam impressões.

Perto do Coração Selvagem

Publicado originalmente em 1943, o primeiro romance da autora traz a história da protagonista Joana em duas fases: a infância e o começo da vida adulta, misturando presente e passado com uma narrativa inovadora para a época. Menina criada pelo pai, órfã de mãe muito cedo, Joana vai morar com a tia que não gostava dela e a manda para um internato. Sai de lá, se casa e, ao contrário da maioria das mulheres, fica triste em saber que está grávida porque sabe que seu marido tem uma amante. Na busca pela razão de sua existência se vê em conflito entre ser mulher e esposa e uma jovem que busca liberdade. O tempo passa e tem um caso com um desconhecido. Desiludida, parte para uma viagem mundo afora sem data para voltar. Sua vida é rodeada de muitas perguntas sempre sem repostas.

A Hora da Estrela

O último romance de Clarice Lispector, publicação original em 1977, mistura realidade e delírio na história contada por um escritor fictício chamado Rodrigo S.M. (alter ego da própria Clarice). Caminhando em uma rua do centro do Rio de Janeiro ele se depara com Macabéa, jovem alagoana de 19 anos, ingênua e sonhadora. Órfã de mãe ainda criança ela foi criada pela tia que lhe repreendia com pancadas na cabeça. Mesmo com pouca instrução e escrevendo mal ela conclui um curso de datilografia, profissão que exerce depois de se mudar com a tia para o Rio de Janeiro. A tia morre e ela vai morar em um quarto de pensão dividido com quatro moças que trabalhavam como balconistas. Enquanto as roomates dormem porque chegam tarde do trabalho, Macabéa, que passa o dia em casa, fica acordada na madrugada ouvindo a programação da Rádio Relógio. No dia em que Macabéa decide faltar ao trabalho e passear pela cidade, ela conhece Olímpico de Jesus, um metalúrgico nordestino. Ele quer crescer e vencer na vida. Ela, conversando de maneira precária, sabe apenas contar o que ouve na rádio. Até que Olímpico a abandona para ficar com Glória, sua colega de trabalho. Sem noção do ridículo, Macabéa vai ao banheiro do escritório e volta maquiada com forte batom vermelho, dizendo que se sente uma estrela de cinema. Aconselhada por Glória ela vai consultar a cartomante Madama Carlota e recebe a previsão de um futuro brilhante, com a proximidade de um grande amor. Ao sair da cartomante, nossa heroína morre atropelada. Pela primeira vez em sua breve existência, Macabéa é o centro das atenções. Ao menos dos pedestres que presenciaram o acidente.

Laços de família

Coletânea de 13 contos publicada pela primeira vez em 1960 cuja abordagem principal é a temática do desentendimento familiar. As personagens são na maioria donas de casa que lutam para equilibrar a rotina do casamento e da família com sua individualidade e anseios próprios. Pessoas comuns, presas a uma vida convencional buscando a libertação da banalidade de sua existência. Os contos são narrados em terceira pessoa exceto “O jantar”, em primeira. Dentre os contos, “Amor”, “Uma galinha” e “Feliz Aniversário”.

Leia também

Romance: A cidade sitiada, A maçã no escuro, Água viva.
Contos: Onde estivestes de noite?, O ovo e a galinha, Felicidade clandestina.
Crônicas: Para não esquecer, A descoberta do mundo.

4. Nelson Rodrigues

Um autor apaixonado por polêmicas. Seus textos são tapas na cara da sociedade brasileira dadas com o sentimentalismo de uma bronca de mãe. Nelson não tinha a intenção de ferir seus alvos e utilizava o humor e a ironia para defender seus argumentos. Seu objetivo era provocar reflexões nos leitores deixando-os com um sorriso no rosto. Integrante da elite social carioca sentia pelos paulistas uma mistura de desprezo, ressentimento, raiva e admiração. Uma suas numerosas frases memoráveis, “O pior tipo de solidão é a companhia de um paulista”.

Sem vergonha de ser taxado como reacionário, defendia ferozmente o capitalismo e tinha convicção das falhas do socialismo. No entanto, os símbolos de esquerda lhe serviram como fonte de inspiração. Transgressor, combatia o pensamento coletivo. Outra de suas célebres frases: “Toda unanimidade é burra”.

Nascido no Recife, em 1912, mudou-se aos quatro anos com a família para o Rio de Janeiro. Aos 18 anos começou a trabalhar como repórter policial no jornal do pai. Daí acumulou experiência para escrever peças teatrais sobre a sociedade. A primeira delas foi “A Mulher sem Pecado” e a de maior sucesso, “Vestido de Noiva”. Nelson Rodrigues foi o maior dramaturgo brasileiro do século XX com uma série de obras classificadas pela crítica da época como obscenas, imorais e vulgares. Mas o que é responsável pela sua admiração dos leitores até hoje é, sem dúvida, o seu humor fino e suave capaz de provocar tanto a felicidade quanto a indignação. Morreu em 1980 aos 68 anos.

A vida como ela é…

Esse era o nome da coluna de crônicas que Nelson escrevia de segunda a sábado no jornal carioca a Última Hora. A exigência do editor é que fossem histórias da vida real e, louco por polêmica, o autor abordou a temática do adultério, do pecado, dos desejos e da moral. Cem dessas crônicas foram reunidas no livro homônimo e muitas foram adaptadas para rádio novela, viraram série na Rede Globo e inspiraram o filme “A Dama do Lotação”.

Bonitinha, mas ordinária

Uma das peças antológicas do autor explora as tentações que perseguem o homem desde Adão e Eva no paraíso até os dias de hoje. Edgard, um jovem de família pobre com dificuldades financeiras para cuidar da mãe doente, namorava Ritinha, professora que trabalha duro para sustentar três irmãs e a mãe louca. Edgard consegue emprego como contínuo na empresa do Dr. Werneck, milionário e sem escrúpulos. Sua filha Maria Cecília, 17 anos e até então virgem, acabara de ter sido estuprada por cinco negros em um local deserto. Peixoto, genro de Werneck, oferece dinheiro para que Edgard se case com ela. Depois de 11 anos na empresa ele fica chocado e recusa a proposta. Peixoto não desiste e leva Edgard à casa de Werneck, Maria Cecília pede para ele reconsiderar sua decisão e o velho oferece um cheque bem gordo ao portador. Egard não recebe dizendo que não é Peixoto, que se casou por interesse. Werneck insiste e fala uma das célebres frases criadas por Nelson Rodrigues: “No Brasil todo mundo é Peixoto”. Frase bem atual com toda a corrupção em nosso país.
Edgard pega o cheque e se torna prisioneiro da situação. Abandona Ritinha que, desiludida com os homens, vira uma prostituta. Pouco tempo depois de casado, Edgard descobre a verdadeira história de Maria Cecília. Não foi estupro, ela que pediu para fazer a suruba. Edgard se revolta, desfaz o acordo com Werneck e rasga o cheque que ainda não tinha depositado.
Faz isso ao nascer do sol na praia, ao lado do seu grande amor Ritinha. Única peça de Nelson Rodrigues com final feliz, “Bonitinha, mas ordinária” defende a ética, o amor e a civilidade. Uma comédia dramática ou um drama cômico? Leia o livro ou assista ao filme e tire suas próprias conclusões.

O Beijo no Asfalto

Um ônibus desgovernado atropela um homem que, no chão e à beira da morte, pede um beijo outro homem que foi socorrê-lo. É um ato de misericórdia. Mas a cena, que foi fotografada por um repórter policial vira manchete sensacionalista e causa polêmica na sociedade. “O Beijo no Asfalto” foi adaptado duas vezes para o cinema e também virou quadrinhos.

Leia também
Peças teatrais: A mulher sem pecado, Vestido de Noiva, Os sete gatinhos.
Romances: Meu destino é pecar, Núpcias de fogo, O homem proibido.
Contos: Elas gostam de apanhar, A dama do lotação, Orquídeas.
Crônicas: A cabra vadia, A menina sem estrelas, A pátria sem chuteias.

5. Jorge Amado

Nascido em 1912 é um dos escritores brasileiros mais famosos, traduzido para 49 idiomas e o mais adaptado ao cinema, teatro e TV, e segundo mais vendido. No primeiro lugar, Paulo Coelho. Enquanto estudava no colégio, Jorge Amado começou a trabalhar em jornais de Salvador e foi um dos fundadores da Academia de Rebeldes, um grupo de jovens que marcou a literatura baiana. Seu primeiro livro é a novela “Lenita” em 1930 e o primeiro romance, “O país do carnaval”, em 1931. Formou-se pela Faculdade de Direito, no Rio de Janeiro, em 1935.

Defensor do comunismo foi obrigado a se exilar na Argentina e no Uruguai. Eleito deputado pelo Partido Comunista do Brasil em 1945, propôs e aprovou a lei que criminaliza a perseguição religiosa. Jorge Amado era seguidor do candomblé. Nesse mesmo ano, casou-se com Zélia Gattai, sua musa inspiradora e também escritora de grande sucesso. Novo exílio político, dessa vez na França até 1950 quando foi expulso e mudou-se para Praga. Voltou ao Brasil em 1952 e afastou-se da militância política. Totalmente dedicado à literatura, ocupou a cadeira número 23 da Academia Brasileira de Letras em 1961. Dentre muitos títulos recebidos mundo afora, Jorge Amado foi Doutor Honoris Causa da Sourbonne, na França. Muito doente, foi o último título que recebeu pessoalmente. Morreu em 2001 aos 88 anos. Seu último desejo foi realizado no dia em que completaria 89: ter as cinzas depositadas ao pé da mangueira que tanto admirava no terreno ao fundo de sua casa em Salvador.

Tieta do Agreste

Publicado pela primeira vez em 1977, esse romance icônico do autor virou filme e novela. Antonieta, apelidada de Tieta, e Perpétua são duas irmãs criadas sob as rígidas regras do pai, Zé Esteves. Enquanto Perpétua é uma virgem muito religiosa, Tieta aos 17 anos transa com diversos homens nas dunas da região e fica mal falada na pequena cidade de Sant’Ana do Agreste. Perpétua, dedo duro, conta tudo ao pai. Ele pega um cajado, dá uma surra em Tieta e a expulsa de casa. Sem conseguir se sustentar ela acaba se prostituindo em cidades próximas, junta dinheiro e parte para São Paulo onde abre um puteiro. Sem mágoas, Tieta envia dinheiro para a família pelo correio, mas não conta onde está. Quando não recebe mais correspondências, Perpétua acredita que a irmã morreu. Mais de 25 anos depois, Tieta volta pra casa. Devido aos seus contatos em Brasília – os políticos que eram clientes de seu estabelecimento – ela consegue a extensão da rede elétrica até a cidade. Eis que Sant’Ana do Agreste entra para os planos para construção de uma indústria química altamente poluidora: uma ameaça ao equilíbrio ecológico da região. Tieta novamente desperta paixões e começa um caso com seu sobrinho, que estava se preparando para ser padre. Perpétua flagra os dois na cama e após uma intensa discussão concorda em não revelar o fato para ninguém desde que Tieta suma da cidade sem dar satisfações. Fica a saudade dos moradores até sua volta para o enterro da irmã.

Capitães de Areia

Um comovente drama, publicação original de1937, sobre as dificuldades da vida de um grupo de menores abandonados em Salvador. Eles moram dentro de uma máquina de moer cana de açúcar e começam a roubar tornando-se conhecidos como os “Capitães de Areia”. O livro mostra não apenas o lado sombrio, mas também as aspirações e os pensamentos ingênuos que toda criança tem. Não há um personagem principal porque as ações ao redor de todos. Pedro Bala, o líder da gang não é mais importante para o enredo não é mais importante do que os outros membros. Na verdade, o protagonista é o grupo e cada integrante é parte de sua personalidade.

Dona Flor e Seus Dois Maridos

Um dos romances mais conhecidos de Jorge Amado, publicado pela primeira vez em 1966, conta como foram os dois casamentos da bela Florípedes Paiva, a Flor. Vive com Vadinho, o primeiro marido, um malandro que adora a vida boêmia, uma paixão incontrolável movida a muito sexo sempre ardente. Eis que em um domingo de Carnaval, depois de tanto sexo, cachaça e samba, Vadinho morre vítima de um infarto fulminante. Sete anos de casamento sendo traída, mas Flor sente muito a perda. Depois de um ano preocupada apenas com aulas de culinária ela não aguenta mais ficar sem homem. O primeiro que lhe faz a corte é o farmacêutico Teodoro Madureira que, bem ao contrário de Vadinho, é recatado e péssimo na cama. Flor continua com ele porque é tratada com muita educação e respeito. Pouco depois de completar um ano do segundo casamento ela toma um susto ao ver o fantasma de Vadinho nu deitado na cama, rindo e chamando-a para deitar junto. Começa então o relacionamento a três sem a mínima chance de Teodoro saber que é corno. Spoiler proposital para aumentar seu desejo em ler: no final do livro, Flor passeia em meio a um desfile de blocos carnavalescos. De um lado, Teodoro, do outro o fantasma de Vadinho, peladão. “Dona Flor e Seus Dois Maridos” é um dos grandes sucessos do cinema nacional.

Leia também
Romance: O Páis do Carnaval, Seara Vermelha, O cavaleiro da esperança.
Poesia: A estrada do mar.
Peça de teatro: O amor do soldado.
Literatura infantojuvenil: O gato malhado e a andorinha Sinhá, A bola e o goleiro.

6. Rubem Braga

Crônicas são relatos da vida cotidiana. Nascido em 1913, Rubem Braga dedicou sua obra somente a elas. Por influência do pai, dono de jornal, começou no jornalismo aos 15 anos fazendo reportagens e também em uma coluna de crônicas. Em 1932 formou-se advogado pela Faculdade de Direito de Belo Horizonte, mas não exerceu a profissão. Nesse mesmo ano foi preso quando fazia a cobertura da revolução que queria separar São Paulo do resto do Brasil. Lançou seu primeiro livro, “O Conde e o Passarinho”, em 1936. Outra cobertura jornalística durante a Segunda Guerra Mundial (1945-1949) acompanhando o exército brasileiro. De 1961 e 1963, embaixador do Brasil no Marrocos. Aliás, na década de 60, Rubem Braga atingiu o ápice com “Ai de Ti Copacabana” (1960) e “A Traição das Elegantes” (1967). Voltou ao Brasil em 1969 quando fundou uma editora. Em 1984 publicou “Recado de Primavera” e em 1988, “As Boas Coisas da Vida”. Faleceu em 1990 deixando mais de 15 mil crônicas.

O estilo de Rubem Braga contém romantismo, melancolia, extremo bom humor e certa dose de militância política de esquerda carregada de revolta contra a desigualdade social e grande simpatia pelos menos favorecidos. E os principais temas abordados são as lembranças de sua vida em uma pequena cidade do interior, a luta contra o governo de Getúlio Vargas, a vida nas grandes cidades e as conversas banais do dia a dia.

Ai de ti, Copacabana

Livro de 60 crônicas selecionadas pelo autor, escritas entre abril de 1955 a fevereiro de 1960. São flashes da vida comum contados de forma leve, como se fossem cenas soltas. “A primeira mulher do Nunes”, “Os trovões de antigamente”, “História de pescaria” e “Ai de ti, Copacabana” são as mais famosas.

Dois Pinheiros e o Mar e outras crônicas sobre meio ambiente

Coletânea de 21 crônicas publicadas em jornais e revistas entre 1948 e 1969, que apresentam o lado ativista do autor em defesa da fauna e da flora utilizando sutilmente a ironia para criticar a bestialidade humana ao poluir a natureza.

Crônicas para Jovens

30 crônicas agrupadas em cinco subtítulos: “Amor… Ou quase”; “Parece que foi hoje!”; “Confidências, quase confissões”; “De plantas e bichos e Em qualquer lugar”. O olhar atento e sensível de Rubem Braga declara sua paixão pela natureza, expõe suas opiniões sobre política, as incompatibilidades amorosas, o valor da amizade, a correria das grandes metrópoles e desigualdades sociais.

Leia também
Crônicas: “Crônicas do Espírito Santo”, “As Boas Coisas da Vida”, “O Verão e as Mulheres”.
Adaptações: “O Livro de Ouro dos Contos Russos”, “Coleção Reencontro: Os Lusíadas”.

7. Graciliano Ramos

Alagoano nascido em 1892, filho de família de classe média residente no sertão nordestino, primogênito de dezesseis. Depois de mudar para algumas cidades do interior foi para a capital Maceió onde terminou o segundo grau. Logo após mudou-se para o Rio de Janeiro onde trabalhou como jornalista. Entristecido pela morte, por peste bubônica, de dois irmãos e um sobrinho, voltou para o Nordeste em 1915, foi morar com o pai e casou-se. Teve quatro filhos e ficou viúvo em 1920. Foi eleito prefeito da cidade de Palmeira dos Índios em 1927, permanecendo no cargo por dois anos até renunciar em 1930. Mudou-se novamente para Maceió em 1931, começou a trabalhar como diretor da Imprensa Oficial e também foi diretor e professor da Instrução Pública do Alagoas. Publicou seu primeiro livro em 1933, “Caetés”. Depois de publicar o segundo, “São Bernardo”, em 1934, foi preso acusado de associação ao comunismo. Considerada por muitos críticos a sua melhor obra, Graciliano Ramos publicou “Angústia” em 1936. No ano seguinte ganhou liberdade e em 1938 publicou o famoso romance “Vidas Secas”. “Memórias do Cárcere”, que conta a vida na cadeia, foi publicado postumamente em 1953. Mudou-se novamente para o Rio de Janeiro em 1939 e virou inspetor de ensino. Integrante do partido comunista brasileiro em 1945, eleito presidente da Academia Brasileira de Escritores em 1951, foi conhecer o socialismo dos países do leste europeu em 1952. As experiências dessa viagem viraram o livro “Viagem” em 1954, dois anos após a morte do autor.

Caetés

Na pequena cidade de Palmeira dos Índios, em Alagoas, João Valério é um rapaz introvertido que vive no mando da lua e trabalha na empresa de Adrião. Os dois viram amigos, mas na trairagem João se envolve com Maria Luisa, a esposa do chefe. Uma carta anônima denuncia o caso e, desesperado, o corno se mata. Embora se sinta culpado, João quer mais é saber do lucro da empresa porque acabou virando sócio. Maria Luisa planeja enganar João porque deseja mesmo é saber do dinheiro do marido morto. João se liga na maldade, termina o relacionamento. O título do livro tem origem histórica: Caeté é o nome do índio que no século XVII matou e comeu o português Bispo Sardinha com o mesmo apetite que João Valério não larga mão do poder na empresa.

Memórias do Cárcere

Um romance escrito em quatro volumes sem capítulo final porque Graciliano morreu antes de concluí-lo. Além de contar suas experiências enquanto preso político, ele faz uma crítica a todo tipo de ditadura. A narrativa é repleta de amargura e traz reflexões sobre as mazelas da natureza humana e a morte. Apesar de não se sentir injustiçado, o autor não esconde sua revolta com as injustiças sofridas por outros detentos.

Angústia

Protagonista e narrador em primeira pessoa, Luís da Silva é um solteirão de 35 anos que vive descontente com a vida que leva trabalhando como funcionário público e jornalista medíocre. Por sorte começa a namorar sua vizinha, Marina. Luís tem problemas existencialistas, sua mente confunde fatos do passado e do presente misturados a um ódio profundo do capitalismo opressor. Julião Tavares, moço rico, elegante e galanteador usa o dinheiro para conquistar as mulheres. Marina cai na sua lábia e despreza João. Assim como as demais conquistas de Julião, ela acaba levando um pé na bunda. “Angústia” é um livro com muitas comparações e simbologias utilizadas para criticar as desigualdades sociais.

Leia também:
Romance: São Bernardo; Brandão Entre o Mar e o Amor.
Contos: Histórias Incompletas; Dois Dedos.
Crônicas: Viagem; Linhas Tortas.

8. Guimarães Rosa

Nascido em Minas Gerais, em 1908, filho de comerciante, foi escritor, médico e diplomata. Alinhado ao estilo modernista, que trouxe inovações de linguagem (Guimarães Rosa costumava condensar e inventar palavras), a maioria de seus livros é ambientada no sertão nordestino. Iniciou os estudos no interior de Minas Gerais e mudou-se em 1918 para a casa da avó em Belo Horizonte onde concluiu o ensino médio e, incrível, entrou na faculdade de Medicina aos 16 anos e começou a publicar seus primeiros contos em uma revista. Gostava de uma novinha, em 1930 casou-se com uma de 16 anos. Logo após a formatura, montou consultório em algumas cidades do interior mineiro até 1932 quando, desapontado pelos recursos limitados, abandonou a carreira de médico e dedicou-se somente a sua grande paixão: escrever. Muito inteligente, o Graciliano falava nove idiomas e em 1934 foi aprovado em segundo lugar no concurso público para diplomata. Trabalhou em embaixadas brasileiras na Europa e América Latina. Voltou ao Brasil em 1951 e ocupou cargos em Brasília em diferentes ministérios. Em 1946 ganhou destaque no mercado literário nacional com a publicação do livro de contos “Sagarana”. Dez anos depois publicou a novela “Corpo de Baile”, dividida em dois volumes num total de 822 páginas, e também o romance “Grandes Sertões: Veredas”. Em 1963 foi eleito por unanimidade membro da Academia Brasileira de Letras, assumindo a cadeira em 1967. Em seu discurso de posse disse que o ser humano morre para provar que viveu. Três dias depois faleceu no Rio de Janeiro.

Sagarana

Coletânea de nove contos publicada originalmente em 1946 com linguagem inovadora e cheia de simbologias. A narrativa muito bem estruturada apresenta as aventuras de vaqueiros e jagunços do interior de Minas Gerais. Os contos “Minha Gente” e “São Marcos” são narrados em primeira pessoa e os demais em terceira, “O burrinho pedrês”; “A volta do marido pródigo”; “Sarapalha”; “Duelo”; “Corpo fechado”; “Conversa de bois” e “A hora e a vez de Augusto Matraga”.

Corpo de Baile

Um conjunto de sete novelas divididas em dois volumes cujo elo é a sexualidade, que, mostrada como destruidora de formalidades e preconceitos, se torna o meio pelo qual as personagens encontram a si mesmas. “Campo Geral”, o texto de abertura, tem como protagonista Miguilim, um homem sentimental e míope, que descobre o mundo ao usar óculos pela primeira vez com um olhar tão puro que faz o leitor lembrar-se da infância. Manuelzão, o protagonista de “Uma estória de amor” é o homem de confiança de um grande fazendeiro. Depois de construir uma pequena capela nas terras do patrão ele resolve se aposentar no dia seguinte, reunindo o povo da cidade em uma missa seguida de uma festa. Durante a comemoração ele reflete sobre sua vida. Com a saúde debilitada ele teme voltar à miséria em que vivia antes de trabalhar na fazenda. Enquanto Miguilim descobria o mundo, Manuelzão tenta redescobrir o sabor da vida. Na “Estória de Lélio e Lina”, Lélio é um jovem vaqueiro que tem um caso com Jiní, esposa de Tomé, mas descobre o verdadeiro amor ao conhecer a idosa Dona Rosalina. O belo sertanejo Pedro Osório, protagonista de “O Recado do Morro”, sofre uma tentativa de assassinato enquanto guia um estrangeiro, um padre e um fazendeiro durante a travessia das serras de Minas Gerais. Em “Dão-Lalão”, o protagonista é o jagunço Soropita, que matou muita gente a mando dos coronéis e se apaixona pela sensualidade da prostituta Doralda. Ela a tira do puteiro e se casam. Mesmo vivendo felizes, ele se sente ressentido com o passado da esposa, alvo de comentários maldosos dos amigos. Em “Cara de Bronze”, o patrão do protagonista Grivo lhe envia para uma viagem deixando os moradores da cidade curiosos para saber o motivo. A sétima novela, “Buriti”, tem uma narrativa longa que altera períodos de primeira e terceira pessoa. Começa sob a perspectiva do protagonista Miguel e depois passa para o olhar de sua nora, Lalinha.

Primeiras Estórias

É o livro ideal para quem lê Guimarães Rosa pela primeira vez. Relembrando as definições, história é ligada a fatos históricos e estória diz respeito a acontecimentos fictícios. O adjetivo “Primeiras” foi usado no título porque foi a primeira vez que o autor escreveu contos. São 21 contos, ambientados no campo, com protagonistas que narram “causos “ do sertão. Até as coisas mais banais são transmitidas com a magia e a beleza da imaginação do autor.

Leia também:
Novela: “Manuelzão e Miguilim”.
Contos: “Estas estórias”, “Com o vaqueiro Mariano”, “O Burrinho Pedrês”

9. Luís Fernando Veríssimo

Gaúcho de Porto Alegre nascido em 1936 é multitalentoso: escritor (muito conhecido pelas suas crônicas de humor), dramaturgo, romancista, músico, cartunista, tradutor e humorista. O talento para a escrita veio de berço, herança do pai Érico Veríssimo. Em 1941 mudou-se com a família para os Estados Unidos onde cursou o primeiro e o segundo grau, começou a gostar de jazz e tomou aulas de saxofone. Voltou à cidade natal em 1956 quando trabalhou como cartunista na Editora Globo; mudou-se para o Rio de Janeiro em 1960 e trabalhou como tradutor e redator publicitário; casou-se em 1963 – é pai de três filhos –; voltou a Porto Alegre em 1967 e foi colunista do Zero Hora. Publicou seu primeiro livro, “O Popular – Crônicas, ou coisa parecida” em 1973, “A Grande Mulher Nua” em 1975 e em 1979, “Ed Mort e Outras Histórias”.

Morou com a família em Nova Iorque durante seis meses de 1980; em 1981 publicou o famoso “O Analista de Bagé” e, de 1982 a 1989, manteve uma página de crônicas na revista Veja. Em 1986 mudou-se em Roma onde cobriu a Copa do Mundo de 1990, repetindo a função de repórter de diferentes jornais e a revista Playboy em outras cinco edições da competição. Seu primeiro romance, “O Jardim do Diabo” é de 1988. Em 1991 escreveu um livro de crônicas para crianças e em 1994 publicou “Comédias da Vida Privada”, coletânea de contos humorísticos que virou um especial e série de 21 episódios na TV Globo. Foi eleito pelo Jornal do Brasil o Homem de Ideias de 1995, uma de suas muitas homenagens. Em 1995 explorou a música novamente sendo saxofonista de um grupo de jazz. A partir da publicação de “Gula – O Clube dos Anjos”, em 1998, escreveu diversas novelas e romances. Em 2003 foi o escritor que mais vendeu livros no Brasil. Hoje, aos 81 anos, continua escrevendo suas maravilhosas crônicas e também é colunista de grandes jornais.

Ed Mort e Outras Histórias

Ed Mort, personagem surgido em tiras de quadrinhos em jornal, é um detetive trapalhão que vive se metendo em confusões para sair da pindaíba, uma paródia dos detetives norte-americanos. O livro publicado em 1979 reúne contos curtos, todos com as principais características de Luís Fernando Veríssimo, a ironia, a grande capacidade crítica e a pontuação das frases muito bem utilizada para cadenciar o humor. Foi adaptado ao cinema em 1997.

Orgias

Todo ser humano precisa manter o autocontrole. A orgia é a libertação extrema, o culto ao excesso, a euforia sem limites. Todo mundo já despirocou ao menos uma vez na vida e de acordo com Luís Fernando Veríssimo, existem orgias e orgias. No livro, as festas de réveillon revelam a libertinagem das personagens.
Comédias Brasileiras de Verão

Outro livro de crônicas, publicado pela primeira vez em 2009, traz a ótica do autor sobre a classe média analisando as ambiguidades e as fraquezas da classe média brasileira.

Leia também:
Crônicas e contos: “O Suicida e o Computador”, “A Mancha”, “Diálogos Impossíveis”.
Novelas e romances: Traçando Paris, Traçando Roma, Traçando Madri.

10. Paulo Coelho

Carioca nascido em 1947 é o autor de língua portuguesa mais traduzido do mundo. Romances, ficção, investigação policial, misticismo e autoajuda, Paulo Coelho é um sucesso inegável. Sempre gostou de escrever e quando criança mantinha um diário, participou de concursos de poesia e fez teatro. Na adolescência era pressionado pelo pai para seguir a carreira de engenheiro e sua mãe achava que como escritor ele não teria futuro. Revoltado, as crises de depressão e raiva eram constantes e levaram os pais a interná-lo em uma clínica de repouso com acompanhamento psicológico, três vezes entre 1965 e 1967. Paulo dirigiu e atuou em algumas peças de teatro na década de 60, lhe servia como terapia. Entrou na faculdade de Direito, mas abandonou o curso.

No começo dos anos 70 virou hippie e parceiro de Raul Seixas compondo grandes hits como “Gita”, “Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás”, e “Al Capone”. A inspiração dessas belas letras muitas vezes vinha das drogas e de muita birita. Assim como os Beatles, Paulo Coelho também via Lucy in The Sky. Em paralelo a música, trabalhou na redação do jornal O Globo. Homossexual assumido envolveu-se com o líder da ordem religiosa que seguia na época. Também compôs letras para Elis Regina, Rita Lee e outros intérpretes. Com repercussão abaixo das expectativas, Paulo Coelho lançou seu primeiro livro, “Arquivos do Inferno”, em 1982. O Caminho de Santiago, que ele percorreu em 1986, influenciou a publicação de “O Diário de um Mago” em 1987. Em 1988 publicou “O Alquimista”, que continua batendo recordes de venda mundo afora. A sequência de lançamentos a partir da década de 90 é arrebatadora, “Brida” (1990), “As Valkírias” (1992), “Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei” (1994), entre outras obras. Paulo Coelho também foi adaptado ao cinema, teatro e TV, e em 2002 passou a integrar a Academia Brasileira de Letras.

O Diário de um Mago

As experiências vividas durante a peregrinação no Caminho de Santiago em 1986 transformadas em parábolas, que tratam da necessidade do ser humano de encontrar seu próprio caminho. A partir dos ensinamentos e das aulas de meditação do guia Petrus, Paulo mudou sua visão de mundo concluindo que a magia da vida está na simplicidade do cotidiano. Também há a descrição das belas paisagens no trajeto de 700 km entre o sul da França e a Espanha. É um livro inspirador que ajuda o leitor no autoconhecimento. Publicado em 150 países e traduzido para mais de setenta idiomas, expõe a filosofia humanista do autor.

O Alquimista

Outro best-seller mundial, que traz a história, repleta de simplicidade e sabedoria, de Santiago, um jovem espanhol, pastor de ovelhas. Depois de um sonho enigmático ele consulta a cigana Romani, que tem a visão de um tesouro enterrado próximo as pirâmides do Egito. Antes de partir de Andaluzia, Melquiesde, o velho rei de Salém, pede ao protagonista que venda as ovelhas e lhe dá duas pedras preciosas. Dinheiro de sobra para despesas extras. No início da travessia do deserto do Saara, Santiago conhece o homem inglês que deseja se tornar um alquimista e estava em busca de um professor egípcio de Alquimia, que vivia no deserto. Pouco adiante a bela árabe Fátima desperta o fogo da paixão em nosso herói, que a pede em casamento. Ela aceita com uma condição: casar quando ele voltasse com o tesouro. Ligeiro com a interesseira, nosso herói se conscientiza que o amor verdadeiro aparecerá sem segundas intenções. A empreitada continua até o oásis onde morava o alquimista. Ao bater o olho em Santiago ele o reconhece como o discípulo que há muito tempo esperava, com duas relíquias: o Elixir da Longa Vida, um remédio que cura todas as doenças, e a Pedra Filosofal, uma substância que transforma metais comuns em ouro. “O Alquimista” é uma fábula que incentiva os leitores a ouvir a voz do coração, interpretar os sinais que aparecem ao longo da vida e, principalmente, transformar sonhos em realidade.

Veronika decide morrer

Lançado em 1998 conta a história de Veronika, uma jovem eslovena que, aos 24 anos, considera sua vida sem propósito e tenta se matar tomando comprimidos porque queria morrer mantendo a beleza. Sua intenção era causar uma parada cardíaca; sem marcas de cortes ou tiros para o não deixar o quarto alugado manchado de sangue. Ela não sofria de depressão, apenas achava que a vida continuaria sem graça ainda mais na velhice. Outra razão para o suicídio era a impotência diante das mazelas do mundo. Sem poder fazer nada, continuar vivendo por quê? Quatro comprimidos tomados e Veronika deita na cama esperando a morte chegar, mas ela não vem. Ao despertar internada em uma clínica psiquiátrica sob os cuidados do Dr. Igor, ela recebe uma má notícia: os comprimidos causaram danos ao coração lhe restando apenas uma semana de vida. Veronika faz amizade com outros pacientes da clínica, com quadros piores que o dela. Seu medo oscilava entre arriscar ser diferente e ficar igual a eles, mas a convivência muda sua visão de mundo. A inspiração de “Veronika decide morrer” é a própria experiência do autor durante as internações para se livrar das drogas.

Leia também:
Romance: A bruxa de Portobello, O Monte Cinco; Onze minutos.
Ficção: O demônio e a Srta. Prym.
Policial: O vencedor está só.
Misticismo e filosofia: Brida.

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Eduardo Artico

Eduardo Artico

Redator publicitário. Especialista na arte de criar sacadinhas e anúncios.

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