Como publicar um livro online pela Amazon

Como publicar um livro online pela Amazon

Conversei com o escritor de Tempestades de Palavras, Serg Smigg, que está dando bons passos na carreira, ele contou todas as dificuldades e falou sobre toda a glória de ver um livro publicado, confira:

1 – Vamos começar falando um pouco sobre você, quem é o Serg?

Sou um homem de 57 anos que mantém ativos alguns ensinamentos morais assimilados pelos pais, desde criança até o último dia deles em vida, em 2009. Por tais ensinamentos, desenvolvi diversas ideias meio singulares sobre vida, amizade relacionamento. Este último item é dos mais fortes no conjunto de minhas preocupações. Assim, trabalho há muitos anos na área de relações corporativas internas e externas, ministrando palestras sobre esse tema, além de outros como colaboracionismo, competitividade, “camisas corporativas” etc.

Gosto de escrever. E de suas variantes: análise e revisão de textos pessoais, corporativos, publicitários, literários etc., mas especialmente jornalismo. Considero o manejo da caneta um exercício tanto físico quanto mental. Talvez seja a única atividade humana que atinja todas as outras atividades para ser desenvolvida. Essa abrangência de universos não absolutos que circunda o ser humano me fascina. Então, comecei a escrever muito desde que meu pai me disse “não é possível viver realmente sem um amigo por perto” pela primeira vez, com suas palavras simples de homem pouco letrado.

Fui professor da Rede Estadual de Ensino, ministrando Português e Inglês na Freguesia do Ó, bairro de S. Paulo no qual passei toda minha infância, e posteriormente na escola Joaquim Osório, de Caieiras. Abandonei o professorado oficial quando as regras técnicas da pedagogia experimental passaram a fortalecer mais o lado do aluno que o do professor. Jamais fui de opinião que o professor tenha direitos inatacáveis sobre o aluno, como acontecia há décadas, mas não posso admitir que o sistema pedagógico permita que o aluno tenha direitos inatacáveis sobre o professor.

Hoje, dou aulas em cursos profissionalizantes na área administrativa e de TI, além de Inglês, e mantenho curso virtual de comunicação e expressividade há pouco mais de um ano. E continuo escrevendo e analisando/revisando textos profissionais. Trabalho para três jornais de S. Paulo e duas revistas para público de esporte.

2 – Quantos livros você já publicou, o resultado foi o esperado?

A bem da verdade, jamais me esforcei de forma agressiva para publicar meus textos. Escrevo desde antes da expansão da internet, numa época em que a máquina era o melhor instrumento de ação do escritor e em que as editoras eram mansões de portas fechadas. Tratavam os escritores novatos com humilhação desmedida. Por questões filosóficas – baseadas em meu pai – nunca fui muito de assimilar murros de terceiros para conseguir meus intentos. Algo de orgulho pessoal, de dignidade, sei lá.

Ainda assim, após a primeira vez que enviei um texto de oitenta páginas para uma editora, a Saraiva, recebi carta (sim… houve um tempo que trocávamos cartas físicas) argumentando que “escreve bem, mas sua história não tem sexo nem crime. Teria um ótimo público na Europa. Consiga alguns patrocinadores e teremos grande prazer em publicá-la”. Ora… se eu tivesse patrocinadores, publicaria sem intervenção de ninguém.

Depois, busquei agentes literários, mas as experiências que tive foram desincentivadoras. Foi quando vi uma entrevista do Dias Gomes no Jornal Hoje da Rede Globo. O grande escritor dizia que sentia falta de auxiliares para seus escritos, especialmente na criação de temas para o seriado “O Bem Amado”, com Paulo Gracindo. Passei a trabalhar desesperadamente numa ideia que já vinha orbitando minha cabeça: “O Faraó Mernepherico”. Para quem não conhece a ideia central do seriado, tratava-se das artimanhas do prefeito da cidade de Sucupira para se manter no poder; seu maior sonho era inaugurar o cemitério municipal, mas os familiares dos poucos habitantes que morriam preferiam enterrar seus mortos nas cidades vizinhas.

O texto que criei mostrava o prefeito inventando um morto célebre. Imagine o cemitério ser inaugurado com o enterro de um faraó?!, “descoberto” no território de Sucupira por equipe de “cientistas renomados”. Seria o máximo! E foi o que Dias Gomes também achou, mas “você não aplicou linguagem adequada para televisão, meu jovem, que é bem diferente da literatura”. Acho que ainda tenho sua carta-resposta guardada comigo.

Então, fui aprender. Fiz cursos e mais cursos de roteiro para cinema e teatro e de linguagem de TV, mas tempo depois o autor faleceu. Resolvi escrever alguns episódios para o programa “Você Decide”, também da Globo. Sabia que teria pouquíssimas chances, mas eu queria “medir” minha arte. Criei dez histórias e tenho certeza de que pelo menos duas delas foram aproveitadas. Claro, não vi meu nome nos créditos no fim da edição, mas descobri que havia algum valor no que eu escrevia, como diziam meus amigos e eu não acreditava justamente por serem amigos.

Tenho publicados dois livros físicos e diversos outros virtuais. “Aspas da Lógica” foi meu primeiro livro e, confesso, bastante infantil, quase pueril. Contudo, considero-o uma espécie de experiência para minhas investidas no universo dos romances de ficção filosófica, que chamo de “ficção possível”, como foi meu segundo livro, “As Últimas Ovelhas”. Este, publicado pela editora Papel&Virtual, vinculada à PUC-SP.

O resultado foi pífio. A editora não ofereceu qualquer respaldo depois do livro publicado, em 1998. Alguns meses depois, recebi um cheque de R$12,60 que também guardo até hoje.

3 – Para quem pretende publicar seu primeiro livro, o que você sugere?

Há pouco o que falar. Atualmente, há muitos instrumentos para que autores apresentem seus trabalhos e, talvez, isso seja um problema sério. Há tantos ditos “escritores” na internet que fica realmente difícil ter chance de ler alguma coisa boa. Muito raro. Entretanto, minha sugestão é estudar, estudar, estudar antes de apresentar um texto. E estudar técnicas de escrita. Ser mais um dos milhares de escritores apenas impelirá uma sensação de inutilidade que não faz bem a ninguém, mas em especial a escritores.

O Brasil é um país de muitos escritores e de pouquíssimos leitores. Enquanto no Chile a média de leitura é de oito livros por ano por habitante, por aqui não chega a 1,5. E o analfabetismo funcional ainda dificulta mais. Desta forma, o ideal é simplesmente escrever; escrever como idealismo, como maneira de extrapolar conceitos e sentimentos. Depois, buscar editoras virtuais, concursos, arranjos editoriais. Para quem tem algum valor disponível – entre R$1000,00 e R$5.000,00 -, é possível pagar por publicação e sair vendendo os exemplares a amigos e conhecidos, como fazem os cantores em relação a seus CDs.

Há boas editoras virtuais que não cobram para manter livros em seus sites, os chamados e-books. Talvez seja uma estante agradável aos anseios de um autor novato.

4 – Além disso, porque você optou pelos ebooks em vez de vender livros de papel?

Ainda sou do tempo em que o cheiro do livro novo é para o bom leitor como cheiro do carro novo é para o amante de carros. Gosto de sentir o peso do livro, a textura do papel, de ter o dedo manchado pela tinta fresca. Mas reconheço que o conceito de virtual já entrou na constituição sensorial do ser humano. Então, rendi-me à tecnologia.

Não há mesmo como escapar disso. Mesmo porque, por conta das ideias autossustentáveis tão propagadas hoje em dia, seria um contrassenso que a necessidade de sustentabilidade fosses ignoradas justamente pela classe de artistas vista como profundamente sensível à realidade que a cerca.

Então, publiquei “Tempestades de Palavras”, crônicas e contos; “A Estranha Condição do Juiz Silva-Santos”, conto; e “O Sinédrio de Silva-Santos”, conto, os três pela editora Amazon. Tais trabalhos resultaram em solicitação da editora para que eu desenvolvesse algo diferente, projeto no qual estou trabalho e que provavelmente será publicado até janeiro.

5 – Dá uma boa grana vender livros no Brasil?

Sim, muita, se você tiver como esperar anos e anos, mesmo décadas, por resultados. Autoria de livros é carreira que precisa ser embasada em história longa dos escritores, é esculpida em diversas obras, não apenas em uma. Boa parte dos escritores hoje considerados clássicos ou no mínimo bons tiveram reconhecimento póstumo, apenas. Mas há casos de best-sellers instantâneos cujos autores sumiram depois de ficarem milionários, quase chegando ao mercenarismo.

Por outro lado, é um universos negro e podre, infelizmente. Poucos escritores no mundo tiveram renome em vida sem usarem de falcatruas ou de marketing agressivo, “a la Paulo Coelho”. Você também pode ganhar muito dinheiro escrevendo banalidades, tais como autoajuda, esoterismo barato, biografias idiotizantes etc. Mas então, você sairá da ideia de “escritores”, “autores” e não poderia estar sendo mencionado nesta entrevista. Seria uma espécie de “Nelson Rubens” comparado a “Roberto Cabrini” no jornalismo.

6 – Como foi a aceitação do público? Qual foi o seu maior sucesso até agora?

Meu maior sucesso não vem dos livros, mas das crônicas que publico virtualmente. A primeira delas, de 97, é “O Cão e a Roda”, sobre a qual recebo mensagens ainda agora. “O Palito de Fósforo no Leito do Rio” é conto que mantém meu nome procurado nos sites de busca. “Desenho na Parede do Poço” foi transformado em roteiro para curta-metragem que está sendo gravado no Rio de Janeiro.

Em verdade, uso minha escrita como maneira de oferecer meu quinhão de colaboração na construção da sociedade que me cerca. É minha visão do que é jornalismo/autoria. Vejo os autores de textos, sejam de qual tipo for, csmo espécie de base provocadora de discussão, mais ou menos o que acho que deva ser o jornalismo. Imagino que um texto que não provoque a sensibilidade do leitor tenha sido atividade perdida no universo de imbecilidades que se vê por aí. Assim, não me preocupo muito em fazer sucesso, mas em ter sido discutido, ainda que por poucos.

7 – Você já está com o próximo projeto engatilhado, certo? Conta pra gente, como será esse novo livro?

Difícil falar dele. A história de meu primeiro livro ficou rondando minha cabeça por oito anos; esta próxima está há cinco. Chama-se “Sociedade Sem Deus – Mundo Corrigido”. Trata-se novamente de romance ficcional filosófico que, penso eu, deixará leitores que não me conhecem realmente estupefatos; os que me conhecem, talvez indignados comigo.

Há também projetos em outras áreas: longa-metragem já em fase de encerramento que vou apresentar a uma produtora em meados do ano que vem; novo e-book, sobre personagens de Caieiras; esqueleto de um programa de TV.

+ Serg Smigg

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